A vistoria de um imóvel usado é o momento em que a empolgação da compra precisa dar lugar à observação minuciosa. Ignorar detalhes estruturais ou de acabamento pode transformar a mudança em uma sequência de reparos imprevistos e custos que não estavam no orçamento inicial.
Para não se deixar levar apenas pela estética ou pela planta, é preciso adotar uma postura técnica. O objetivo aqui não é encontrar o apartamento perfeito, mas compreender exatamente o que está sendo adquirido e quais manutenções serão necessárias a curto prazo.
A parte que não aparece é, geralmente, a que causa mais dor de cabeça. Comece testando todas as torneiras e descargas. Observe se o escoamento da água é rápido ou se há sinais de represamento, o que pode indicar obstruções na tubulação ou problemas na caixa de gordura. Aproveite para abrir os gabinetes embaixo das pias: qualquer mancha de umidade ou cheiro de mofo ali pode ser um aviso de vazamento crônico.
Nas tomadas, o teste é simples. Leve um carregador de celular ou um pequeno aparelho para verificar se todas as saídas de energia estão funcionando. Fique atento também aos quadros de luz. Se o disjuntor estiver muito antigo ou com sinais de aquecimento, considere que uma modernização elétrica pode ser necessária para suportar os eletrodomésticos atuais, que costumam exigir uma carga maior.
Muitas vezes, uma pintura nova esconde problemas que só surgem com o tempo. Ao caminhar pelos cômodos, observe as paredes à procura de fissuras, especialmente em cantos de portas e janelas. Fissuras horizontais ou muito profundas merecem um olhar mais atento para verificar se não há movimentações estruturais.
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Abra e feche todas as portas e janelas da casa. O movimento deve ser suave. Se encontrar resistência, emperramento ou ruídos metálicos excessivos, pode ser um sinal de que os trilhos estão desgastados ou que houve um pequeno assentamento na estrutura da edificação, fazendo com que as esquadrias percam o esquadro original. Verifique também o estado dos pisos: peças estalando ou soltas indicam que o assentamento foi mal feito ou que houve infiltração vinda da laje inferior.
Um imóvel pode ser visualmente impecável, mas ter sérios problemas de habitabilidade devido à falta de circulação de ar. Observe se há sinais de descascamento de tinta ou bolhas nas paredes voltadas para o sul ou em áreas de banho. Esses pontos são propensos ao acúmulo de umidade.
Certifique-se de que o sistema de ventilação natural é eficiente. Em cozinhas e banheiros, verifique se os dutos de exaustão estão desobstruídos. A sensação de abafamento ou o excesso de mofo em armários embutidos são indicadores claros de que o projeto ou o uso do imóvel não favoreceu a renovação constante do ar, o que exigirá, da sua parte, um cuidado redobrado com a higienização ou a instalação de exaustores mecânicos.
Antes de formalizar qualquer decisão, tome o tempo necessário para refazer esse percurso sem pressa. Se sentir insegurança em relação a algum ponto específico, considere solicitar o acompanhamento de um profissional especializado em engenharia diagnóstica, que possui o olhar treinado para distinguir problemas superficiais de questões estruturais.